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O Relativismo e Os Dogmas

  • Foto do escritor: ocatecumeno
    ocatecumeno
  • 7 de jan. de 2022
  • 6 min de leitura

Existe uma grande aversão em nossa época a respeito dos dogmas da Igreja Católica. Isto se deve as ideologias mais vigentes na era moderna que negam ou relativizam o transcendente e a verdade. Rejeitando a existência de absolutos, tomando tudo por relativo: ética, moral, ciência. Depende dos olhos de quem vê e das convenções sociais, os costumes, as leis, a cultura local. Quantas vezes ouvimos alguém dizer “não existe verdade absoluta”, “cada um tem a sua verdade” ou “tudo é questão de uma convenção humana”. Cabe aqui uma análise lógica, quando se diz que “não há verdade absoluta” se pressupõe que essa frase é uma verdade absoluta para que negue sua existência. Logo, A não pode ser NÃO A. O relativismo necessita da premissa de que não há algo perene, muito bem caracterizado no livro O Príncipe de Maquiavel onde tudo é lícito para se chegar a um fim desejável, tornando o bem e o mal apenas uma mera causalidade humana. Não um fator intrínseco. Assim se sucedeu e se acrescentou ainda diversas outras ideologias que resultaram em nossa atual sociedade ocidental liberal e progressista que não preza pelo absoluto, mas pela plena relativização de tudo.

Exemplificando, inúmeros acontecimentos históricos e barbaridades podem ser defendidos ou considerados bons de acordo com o ponto de vista de quem vê. Especialmente, quando se trata de algo que esteja na lei. Ora, a escravidão era permitida por lei em boa parte de nossa história. A mulher é propriedade do homem na lei de diversas culturas. Aos 12 anos ela pode ser forçada a ter relações sexuais com seu marido/proprietário. O filho era propriedade do pai no Império Romano até sua adolescência, sendo passível de abandono, morte por inanição, sem qualquer punição legal. Em culturas indígenas se comete o canibalismo. Também cometem o infanticídio em situações como deficiência ou nascimento de gêmeos, a criança é enterrada viva. Para concluir, o nazismo também estava respaldado pela lei. Todas essas coisas são legítimas por estarem dentro da convenção humana? Aceitando a ideia relativista podemos dizer que nossa lei atual é uma simples evolução social daquilo que a humanidade considera bom ou ruim para ela e para o convívio humano geral. Daquilo que mais funciona e prospera para o todo. Assim, como vimos que essas coisas não são boas para o conjunto da sociedade as descartamos ou proibimos na lei. Ao mesmo tempo, nenhuma dessas coisas são essencialmente erradas. Uma proposta de pensamento ideológico que satisfaz o ego humano, que nos deixa livres de deveres morais e éticos. Pois queremos construir nossa própria verdade, nossa própria realidade, nossas próprias regras morais, nossas convenções. Partindo dessa premissa absurda, seria contraditório então condenar essas convenções do passado ou do presente, que não estão de acordo com as convenções do local onde vivemos. E se condenamos algo é por pura convenção social ou pela lei, de maneira alguma podemos dizer que algo é mal e não deve ser praticado pois não há verdade absoluta. Como também não há nenhum dever moral para que essas leis acima citadas deixem de existir, os “beneficiados” por essa lei não tem obrigatoriedade alguma em tratar com dignidade o próximo pois a lei não o diz. Aquele prejudicado que é subjugado por essa lei ou convenção social não tem nenhum direito em buscar ser livre disso, sob pena de sofrer punições, afinal estará infligindo a lei. É facilmente perceptível quão grande é o problema que tal relativismo produz. A negação da verdade é uma completa loucura.

Todavia, a própria ordem das coisas atesta que os erros morais e os erros éticos (puníveis na lei) acarretam consequências devastadoras para a sociedade. Ainda mais drasticamente quando cometidos em larga escala. Veja um exemplo moral: a promiscuidade sexual gera famílias desestruturadas e ínfima capacidade de estabelecer laços sociais fortes, pessoas acabam por serem tratadas como coisas, objeto de satisfação pessoal. Um exemplo ético: a proibição da bebida alcoólica nos EUA gerou um morticínio devido a gângsters que tomaram conta do mercado, uma guerra similar ao tráfico de drogas no Brasil. A realidade é inevitável e não pode ser modificada pelas convenções humanas. A consequência da negação ou infração da ordem e dos absolutos sempre resultará em males para a sociedade. No fim, a busca do relativismo é, na verdade, uma busca pela satisfação da vontade humana. Acariciar nosso ego, desejos, prazeres e vícios.


A ordem das coisas, naturais, morais, éticas, a realidade, pressupõe um ordenador. Pois é impossível a ordem ser resultante do caos. Este ordenador é Deus, o Criador, sendo Jesus Cristo a personificação da Verdade. Essa é a conclusão católica, me estenderei quanto a existência de Deus em outra oportunidade.

E onde entram os dogmas nessa história? A palavra dogma significa “ensinamento” e “decisão”. Ensinamento transmitido pela Igreja e uma decisão sobre qual é o verdadeiro ensino acerca de um importante ponto de fé. “O Magistério da Igreja faz pleno uso da autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando propõe, dum modo que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, verdades contidas na Revelação divina ou quando propõe, de modo definitivo, verdades que tenham com elas um nexo necessário. Existe uma ligação orgânica entre a nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho da nossa fé: iluminam-no e tornam-no seguro. Por outro lado, se a nossa vida for reta, a nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé” Catecismo da Igreja Católica §88-89. É importante ressaltar que a definição de um dogma não acontece de maneira rápida, equivocada, improvisada ou pouco pensada. Pelo contrário, a definição de um dogma requer um lento processo de amadurecimento no qual uma verdade contida no depósito da revelação da fé vai se tornando visível à hierarquia eclesiástica e, principalmente, ao povo de Deus. Portanto, o dogma não é inventado, ou seja, a verdade que ele apresenta já existia. Similar às leis da natureza, nenhuma lei física é criada pelo homem, antes são simplesmente descobertas. O homem se esforça a compreender a lei da física para que a conhecendo possa se servir desta lei de maneira que lhe traga benefícios. Ainda mais os dogmas, o conhecimento deles nos traz o sumo bem, podemos crer com a segurança de estarmos na verdade de Cristo. Com a definição do dogma, essa verdade se torna reconhecida e evidente a todos.Os dogmas da Igreja não são meras convenções de homens que optaram por subjugar a fé aos demais ou criar algo segundo o que lhes convinha. Cremos que cada dogma nos foi transmitido por Deus na ação de seu Santo Espírito; no Magistério da Igreja como Cristo prometeu Mateus 16.18-19 e João 14.16-26. Pois é o próprio Cristo, a própria Verdade, que assim estabelece. É Ele quem instituiu a Igreja delegando a ela o depósito da verdadeira fé. Não por menos, São Paulo chama a Igreja de “coluna e fundamento da verdade” 1 Timóteo 3.14-16. E é Ele quem envia o paráclito para assistir a sua Igreja. Pois ela foi encarregada na pessoa dos apóstolos de transmitir as boas novas, a verdadeira fé, o correto ensino, a interpretação das escrituras, a sã doutrina. A sucessão apostólica ocorre na Igreja Católica, com larga evidência histórica para tal. Podemos crer nos dogmas sem medo, pois todos são para nossa salvação, para o nosso bem e de toda Santa Igreja. Entretanto, não somos chamados ao fideísmo, podemos estudar exaustivamente cada dogma e concluir logicamente a veracidade deles. Ao passo que, rejeitando dogmas, estamos relativizando a fé por uma mera convenção humana. Negando a verdade, no fim das contas, negando Cristo. Tornando assim a fé uma mera opinião, caindo em tal subjetivismo que nos leva a negar o absoluto. Uma fé self service que se cria, adere ou rejeita ao gosto do freguês. Solapando assim todo o evangelho, com prejuízo social inimaginável. Pois consequentemente a própria fé que deveria ser a orientação da moral, ética e virtude; se torna um dos mais fortes proporcionadores do caos que configura o relativismo. O dogma desestrutura o relativismo, especialmente o religioso, nos direcionando para a verdade assim como a ordem natural nos empurra para a realidade. Para o absoluto, Deus.

Se não somos capazes de amar nosso próximo o qual vemos, se não somos capazes de amar a Igreja que Cristo instituiu, se não somos capazes de nos sujeitar ao bom Deus e a realidade das coisas que Ele criou, se queremos pegar tudo isto e moldar de acordo com nosso entendimento para satisfação pessoal. Não podemos nos dizer cristãos. Aquele que opta por negar os dogmas, já escolheu trilhar o caminho do relativismo.

Para o católico é muito simples se livrar do relativismo e abraçar a verdadeira fé. Amar a Santa Igreja e a Sã Doutrina, então amarás a Verdade e teu próximo. Assim, amarás a Jesus Cristo Nosso Senhor, Deus Filho consubstancial ao Pai, na unidade do Espírito Santo. Amém!


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