Um breve esclarecimento sobre a Virgindade Perpétua de Maria quanto ao seguinte argumento contestando este dogma:
Mateus 1.18 - Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo. Mateus 1.24-25 - José recebeu em casa sua esposa, mas não a conheceu até que ela tivesse dado à luz o seu filho, que recebeu o nome de Jesus
Os termos “antes” e “até” sugerem que as condições existentes antes do nascimento de Jesus deixam de existir assim que o nascimento ocorreu. Ou seja, após o nascimento de Cristo, Maria naturalmente teve relações conjugais com José.
Este é um argumento muito antigo e a resposta dele também é muito antiga; o primeiro que aproveitou essa ambiguidade para contestar a virgindade perpétua de Maria foi Helvídio, no século IV d.C. Quem o respondeu na época foi São Jerônimo de Estridão, maior estudioso das Sagradas Escrituras da época. Jerônimo demonstrou que tal implicação não existia necessariamente, exemplificando sua argumentação com inúmeros trechos bíblicos onde ocorre o mesmo. Cito alguns:
Pela boca do profeta, Deus diz em Isaías 46.4 “Permanecerei o mesmo até vossa velhice”. Ele deixará de ser o mesmo depois que elas tiverem envelhecido? E nos Evangelhos o Salvador diz aos Apóstolos: Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo (Mateus 28.20). Depois que o fim do mundo chegar, o Senhor vai abandonar seus discípulos? E quanto à recomendação de São Paulo a Timóteo: Até que eu tenha voltado, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino (1 Timóteo 4.13); então Timóteo deveria parar de ler a Escritura uma vez que o apóstolo tivesse chegado à cidade?
E sobre a filha de Saul em 2 Samuel 6.23 “E Mical, filha de Saul, não teve mais filhos até o dia de sua morte.” Será então que ela teve filhos depois?
Resposta extraída de São Jerônimo, Contra Helvídio, 6.
Partindo do princípio interpretativo de Helvídio, adotado por muitos detratores da fé católica que pensam estar descobrindo alguma novidade teológica, levaremos as Escrituras ao mais completo absurdo. Fica evidente o mal que há por trás da livre interpretação bíblica. Devemos compreender que não se trata de uma tentativa de refutar um possível engano a respeito da pessoa de Maria, mas sim de desprestigiar o próprio plano salvífico de Deus. A virgindade perpétua de Maria evidencia a grandeza do milagre que culmina no nascimento de Jesus Cristo Nosso Salvador, demonstrando que a única argumentação lógica é de que realmente ocorreu um milagre no ventre de Maria e que o único pai possível é Deus. Pois de maneira alguma ela poderia conceber um filho, se não sobrenaturalmente. Maria toda santa, toda de Deus, nos méritos eternos de Cristo, a perpétua Virgem cheia da graça, Mãe de Nosso Senhor. Louvado seja Cristo Jesus e o perfeito plano salvífico de Deus Pai, no poder do Espírito Santo. Amém!
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